A Procuradoria da República em Erechim apurou diversos crimes ocorridos na área da reserva, desde espancamentos e cárceres privados efetuados por um grupo liderado pelo cacique Valdocir até a achaques praticados por comerciantes da área, que seqüestravam de indígenas idosos seus cartões magnéticos do INSS para sacar seus vencimentos e garantir que suas dívidas fossem pagas. Até um “gato” telefônico foi feito a partir do posto da Fundação Nacional do Índio (Funai) sob o mando do cacique.
Integrante do grupo liderado pelo ex-cacique, Elvis Rodrigo Braga, irmão do ex-vice-cacique de Ligeiro, foi enquadrado em seis artigos diferentes do Código Penal (lesão corporal leve, cárcere privado, ameaça, crime continuado, formação de quadrilha e concurso de pessoas). O ex-cacique Valdocir foi denunciado por formação de quadrilha, lesão corporal, cárcere privado, ameaça, furto de impulso telefônico (gato), crime continuado e concurso de pessoas.
Participavam da quadrilha o ex-vice-cacique Hércules Braga, o professor da reserva Holailto dos Santos, o vereador Imacir Chaves, o ex-major da área do Ligeiro Fábio Braga, os indígenas Elvis Braga e Silmar Candinho, o ex-capitão da Comunidade Indígena do Ligeiro Aldorino Pinto, o ex-capitão da área do Ligeiro Valter Lima e Zeferino Silveira, também ex-capitão da reserva do Ligeiro. A quadrilha possuía armas de fogo negociadas com os comerciantes e agia violentamente na aldeia para impor o cacicado de Valdocir, o líder da quadrilha.
Bebida – O procurador da República em Erechim, Mário Sérgio Barbosa, também denunciou comerciantes da reserva que vendiam bebidas alcoólicas aos indígenas e se apossavam de cartões de benefícios para retirar para si os valores destinados a indígenas que lhes deviam, inclusive idosos. Ariovaldo Dering, Gilnei Roncaglio e Gilmar Fontana poderão responder por exercício arbitrário das próprias razões pela retenção de cartão magnético de benefícios para idosos, conforme prevê a Lei 10.741/2003 em seu artigo 104.
O Ministério Público Federal pede que todos sejam julgados em processo penal, que poderá acarretar em penas de até 23 anos de prisão para o ex-cacique Valdocir, o ex-vice-cacique Hércules Braga e seu irmão Elvis, os principais líderes da quadrilha.
PGR
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